Panorama traz dados científicos que revelam avanços na coleta, mas mostram que lixões e baixa reciclagem ainda são desafios urgentes.
Geração de resíduos em 2023
O Brasil gerou 80,9 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) em 2023. O volume confirma o crescimento da geração anual e aumenta a pressão sobre o sistema de gestão.
Avanços na coleta
Do total, 93,4% foram coletados. Isso representa 75,6 milhões de toneladas, um aumento de 0,4% em relação a 2022.
As regiões Sul (97,2%), Sudeste (98,8%) e Centro-Oeste (95,2%) superaram a média nacional. Norte e Nordeste ficaram em torno de 83%.
Mais de 700 mil catadores autônomos atuaram na coleta informal, recolhendo 4,5 milhões de toneladas. Esse grupo é responsável por grande parte da recuperação de materiais, mesmo sem vínculo com cooperativas.
Destinação final: o grande desafio
O país encaminhou 69,3 milhões de toneladas de RSU para disposição final em 2023, o que corresponde a 85,6% do total gerado.
Apenas 58,5% (40,5 milhões t) tiveram destinação adequada em aterros sanitários. Já 41,5% (28,7 milhões t) foram depositados em locais inadequados, como lixões.

As desigualdades regionais são marcantes. No Sul e no Sudeste, mais de 67% dos resíduos foram destinados a aterros sanitários. No Norte, somente 38% tiveram esse destino.
Reciclagem ainda tímida
O Brasil encaminhou 6,7 milhões de toneladas de materiais secos para reciclagem em 2023, apenas 8,3% dos RSU gerados.
Mais de dois terços desse volume veio da coleta informal de catadores. Apenas um terço chegou das coletas realizadas por serviços públicos.

Embora baixo, o índice está acima da faixa de 3% a 7% registrada em levantamentos anteriores. No entanto, ainda está muito distante do potencial brasileiro, estimado em 33,6%.
Conclusão do Panorama 2024
O estudo mostra que o Brasil avançou na coleta, mas ainda enfrenta sérios problemas na destinação final e na reciclagem.
Para mudar esse cenário, será necessário:
- expandir a coleta seletiva;
- investir em infraestrutura adequada;
- incluir de forma estruturada os catadores na economia circular.
“O país avança, mas continua enterrando milhões de toneladas de resíduos de forma inadequada. É preciso agir com urgência”, alerta o documento.
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Fontes Consultadas:
- Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente – ABREMA — Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024











